segunda-feira, 7 de agosto de 2006


Novidades e urubuzadas


Assistir o lançamento do foguete com a nave Apolo 11 na TV (preto e branco) do vizinho de frente da casa foi uma emoção indescritível. Quando ouviu dizer que o homem havia chegado à lua então, foi um alvoroço total.
- É mentira! Dizia Fio, um garoto, alguns anos mais velho, metido a saber de tudo.
Ao mesmo tempo que discutia, tragava seu Continental, sem filtro e cuspia insistentemente no chão.
No auge de sua curiosidade, Pedro ficava procurando ouvir tudo o que os garotos mais velho discutiam.
Uns defendiam que era tudo verdade, que os Yankees haviam finalmente chegado à lua, outros, que não, que era tudo montagem, que foi filmado em um deserto qualquer ou em um estúdio de cinema, afinal areia existia em qualquer lugar. Até hoje, ninguém sabe dizer se o homem chegou ou não à lua.
Mas, Pedro foi crescendo e procurando descobrir o que era verdade e o que era mentira e foi percebendo que em tudo o que era novidade, sempre existiam os que defendiam e os que achavam tudo aquilo uma bobagem passageira.
Foi assim quando pela primeira vez começou a filmar com uma câmera de um amigo, em super 8mm. Logo vinha aquele seu velho amigo dizendo que aquilo “é uma besteira, a revelação é caríssima. Além disso, para colocar som, ainda precisava que o estúdio de revelação abra a banda magnética para gravar posteriormente. O investimento não vale o resultado”. Pedro nem ligava e ficava ansioso esperando os rolos de filme chegarem para poder assistir uma imagem meio tremida, porém, era ele que estava realizando a maravilha do cinema. Era isso que importava. Percebeu também que era sempre a mesma pessoa que tinha uma palavra negativa para dar sobre toda e qualquer tecnologia que aparecesse no mercado. Assim foi em relação à TV colorida, ao vídeo-cassete e outras novidades da modernidade. Fio, sempre vinha dizer que a TV colorida poderia causar esterilidade, o vídeo-cassete iria acabar com a sétima-arte, e blá, blá, blá... Para tudo ele tinha que dar um palpite... E errava sempre... Era uma pessoa que via em tudo o apocalipse, porém, suas previsões nunca se comprovavam e quando questionado, sempre dava um jeito de achar uma outra “profecia”. Era do tipo “mentiroso” compulsivo. Sempre inventava alguma coisa para encobrir o que havia falado anteriormente.
Quando Pedro comprou seu primeiro computador, saiu contando para todo mundo. Seus amigos ficaram encantados com a novidade, pois, era um dos primeiros a aparecer por ali. Todo mundo queria escrever seu nome e imprimir em “letras grandes” na impressora matricial de 9 agulhas. Era um Apple, uma maravilha da micro-tecnologia.
Um dia, Pedro estava se esforçando para tentar resolver um probleminha em um programa que tentava fazer no computador e aparece Fio na porta de seu escritório.
Pedro leva um susto e diz:
- Ah! Não! Querer contestar que computador é uma boa coisa eu não admito!
- Calma! Não vim contestar nada, não. É que a turma toda estava falando de seu computador, que eu acabei querendo conhecer e saber como funciona. Aliás, quero até que você faça um cartaz com meu nome pra eu botar na porta de meu quarto. Pelo que já vi na TV e nas revistas sobre computador tenho que dar meu braço a torcer: essa é a tecnologia do futuro. Inclusive, vi alguma coisa que é muito difícil uma máquina dessa dar um defeito...
Fio nem terminou de falar. Um barulho surdo se fez ouvir na sala. A tela de um verde luminoso tornou-se um verde-escuro, sem vida.
Pedro berrou um palavrão e mandou Fio se retirar.
- Cai fora daqui, seu urubulino. É a primeira vez que você concordou com alguma coisa e pifou meu computador. Vai ser negativo assim no quinto dos infernos. Pelamordedeus!!! Fio saiu, o mais rápido possível. Acendeu um Holllywood e foi pela calçada à fora. Cuspindo insistentemente no chão, sem entender muito aquela história.

3 comentários:

Tom disse...

Eu só faço voltar da cruzada da tendinite, e vejo uma ode à tecnologia... hauhauhauhauhauha
Grande abraço, cara!
- e pra olho gordo, só colírio diet!!!! -

Roberto Queiroz disse...

Um tempão que eu não passo aqui para urubuzar (aproveitando o mote do título do seu texto). Devo confessar que não é somente o fio, personagem do seu post que não acredita nessa história de que o homem pisou na lua. O crítico deste parco comentário até hoje não bota muita fé nessa ladainha, não. Acredito que tudo não passou de uma jogada de marketing norte-americana para conseguir financiamentos na área tecnológica junto a outros países que ficaram deslumbrados com a façanha dos EUA. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.

Anônimo disse...

Fio... será que é para a gente poder pensar em fazer um trocadilho infame com algum sujeito, digamos, coincidentemente semelhante à esse Fio da p... Conheço uns hehehehehe...
Aqueta
aqueta.zip.net