sábado, 19 de novembro de 2005


Passerà, primo poi
Questo piccolo dolore che c'è in te, che c'è in me, che c'è in noi
E ci fa sentire come marinai in balia del vento e della nostalgia
A cantare una canzone che no sai... come fa
Ma quel piccolo dolore, che sia odio, o che sia amore,
Passerà.
Aleandro Baldi/Bigazzi/M. Falagiani

Desde o nascimento, André deu provas de seria uma pessoa muito alegre. Sorria para as enfermeiras, para o pai, para a mãe, para quem passasse em sua frente. Todos achavam que aquele menino tinha futuro, apesar da vida dificil que sua familia sempre teve.
O menino foi tornando-se um garoto, travesso, deve-se dizer. Ao juntar-se com seus primos, ficava impossivel. As brincadeiras iam longe, os pais se preocupavam com tanta molecagem, temiam que isso pudesse levá-lo a cometer atos graves. Mas, desde aquela época, ele se mostrou um garoto responsável.

O tempo passou, o garoto foi se tornando um rapaz cada vez mais bonito, inteligente e dedicado. Era o orgulho dos pais. Arrumou trabalho. A familia sempre o elogiava, pois a sua responsabilidade e sua educação eram admiráveis. Quanto mais tempo passava, mais André se tornava uma tipo de pessoa muito raro hoje em dia: uma pessoa direita.

Mas, o destino gosta de aprontar das suas, e sem avisar. Quando completou 19 anos de idade, André, que acabara de passar no vestibular, estava indo bem no trabalho, e com uma relação excelente com a familia, começa a sentir dores fortes nas costas. Pensou se tratar de esforço excessivo na coluna, mas achava estranho o fato da dor se localizar mais para o lado esquerdo do seu tórax. Foi ao médico, e este não diagnosticou nada. Mas as dores continuavam. Foi a outro médico, e este descobriu a verdade.

(... e o tempo passou, mais depressa que o normal)

Magro, pálido, mas sempre ostentando um sorriso em seu rosto, André completava seus 20 anos em sua casa, rodeado de amigos e da família. Seu aspecto físico se deteriorou, por conta das cansativas sessões de quimioterapia que ele fazia para tratar o câncer no rim esquerdo. Mas seu espírito não sofreu abalo algum. Continuava feliz, apesar de saber que sua vida estava se esvaindo. "Tão pouco tempo... mas tão bem vivido" - costumava dizer. Continuou a trabalhar até pouco tempo antes daquela festa, quando suas forças já não resistiam mais. A faculdade ele foi obrigado a largar. Mas sem nunca desanimar, pois sabia que para todos, há um destino a ser cumprido. E ele não deixaria de cumprir o dele.

Alguns dias depois, depois que todos foram dormir, André passou a lembrar de todos os momentos marcantes de sua vida. As primeiras palavras, os primeiros passos, as primeiras brincadeiras e primeiros hematomas, primeira namorada, primeira vez... tudo e todos que eram importantes em sua vida passaram diante de seus olhos. E sentiu que chegara a hora.
André abriu o seu livro da vida, enquanto fechava os olhos.
E assim ele partiu, consciente de que apesar de todas as dificuldades que um ser humano pode enfrentar em sua existência, ele certamente pode ter levado uma vida perfeita.

Baseado em uma história real, que ainda não terminou. Algumas partes foram modificadas, mas ainda assim foi mantida a essência da vida que esta pessoa está levando.

Dedicado a
Aline Virginia de Queiróz
(1980 - 1997)

6 comentários:

Tom disse...

OK, todos estão me levando às lágrimas, este mês... vocês são terríveis...

Wallace Puosso disse...

muito bem... li três crônicas daqui, para ter uma idéia geral do tema deste mês. É... realmente o tom está certo... as crônicas estão com peso dramático. O que é bom. No seu caso, Luiz, o que talvez falte é trabalhar um pouco mais as imagens. Na crônica, assim como na poesia e na narrativa breve, a força das imagens está proporcionalmente ligada à força do próprio texto. A beleza das palavras está no que elas podem suscitar de imagens na mente de quem lê. Mas o caminho é por aí, exercitando sempre... sempre... confesso que eu - às vezes - exagero um pouco nessa questão e o texto acaba ficando um pouco confuso. O desafio então é tentar achar um meio-termo. Parabéns, meu caro, me tocou. Abraço a vcs e boa sorte nessa nova empreitada.

Fernando disse...

Li seu e-mail e no momento em que li morte não resisti! Esse é um dos assuntos que me despertam mais interesse e com o qual muito me identifico... Sei que devo ser louco, mas isso não importa! Sua crônica está ótima! Parabéns... Gostei muito, fiquei emocionado! Boa sorte a todos vocês que se dedicam e se esforçam para manter esse espaço! Abraço!

Anônimo disse...

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Seu texto é denso e prende a atenção. Eu gostei embora , no final tenha dado um aperto no coração. o que é bom pois mostra que vc atingiu o objetivo.

Felipe Policarpo disse...

Em uma única palavra: tocante.
Parabéns por mais uma narrativa cheia desse sentimentalismo bom que você sabe passar pela escrita Luiz!

Abraços.

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